Contribuições
sobre o texto “Eu, o outro e tantos outros: educação, alteridade e filosofia da diferença” de Silvio Gallo
O que
este texto me possibilita pensar sobre a docência?
Marilda Oliveira de
Oliveira
O que este texto me possibilita
pensar sobre a docência? Pois, que é importante ouvir e sentir mais o outro.
Não pretender impor a minha vontade, o meu desejo como o mais correto, o mais
adequado e o mais funcional. No lugar de querer ensinar o outro aquilo que eu
sei, tenho feito exercícios de pensar o que eu posso aprender com meus grupos.
Tenho falado menos e pensado mais. Esta atitude um tanto egoísta tem me
movimentado por outros caminhos. “Nunca se sabe de antemão como alguém vai
aprender – que amores tornam alguém bom em latim, por meio de que encontros se
é filósofo, em que dicionários se aprende a pensar”. (DELEUZE, 2006, p.237).
Luciana
Estivalett
Ser consciente das fases que o
outro passa, pode ajudar o processo da educação. Assim, não é necessária a
"subjugação" e nem a mera "tolerância" do outro, pois a
compreensão mútua ocorrerá naturalmente.
Marli
Simionato
A partir da questão elaborada
pela professora Marilda “O que o texto nos possibilita pensar sobre a
docência?” que teve como referência o texto de Sílvio Gallo “Eu, o outro e tantos outros: educação,
alteridade e filosofia da diferença”, gostaria de compartilhar o vídeo da
entrevista que Gilles Deleuze concedeu a Claire Parnet entre 1988-1989. Para
este diálogo trago a letra “P de professor” http://www.youtube.com/watch?v=hQ6f0KClnc8, onde
Deleuze aborda dois pontos que considera importantes para a concepção de aula.
O primeiro ponto é que o entendimento não ocorre necessariamente no momento da
aula, este pode ocorrer posteriormente. E, em segundo lugar, uma aula não tem
que ser entendida totalmente, pois, “uma aula é uma espécie de matéria em
movimento. Numa aula cada grupo, cada estudante pega o que lhe convém”.
Penso que estes pontos trazidos por Deleuze comungam com a
ideia que Gallo aborda no texto quando diz,
podemos inventar métodos para ensinar, mas o
vínculo que une o aprendizado ao ensino, de uma forma que pode ser prevista e
controlada, só faz sentido no âmbito da filosofia da representação e não passa,
portanto, de uma ficção. Não há métodos para aprender e não possível saber de antemão que forças se movem numa singularidade quando sua
potência é aumentada pelo aprendizado.
Ainda trago, outro
recorte do texto de Gallo que acredito pertinente,
Educação pelo outro, uma vez que se a educação é
uma mudança de estado, se o aprendizado é a passagem do não-saber ao saber
(Deleuze, 2006, p. 238), este movimento é feito pela mediação do outro, seja
este outro uma singularidade (um professor ou um amigo, por exemplo) ou uma
coisa qualquer (um livro, um filme, uma idéia capturada ao léu...). O momento
da passagem do não-saber ao saber é um acontecimento, um momento infinitesimal
que dura uma eternidade.
E,
ainda
...não há métodos para aprender, é preciso
abdicar da ficção pedagógica do ensino-aprendizagem. Educar significa
lançar convites aos outros; mas o que cada um fará – e se fará – com estes
convites, foge ao controle daquele que educa.
Mauricio R. Dotto
"O que o
texto nos possibilita pensar sobre a docência"?
Citarei esta parte “Assim, o educador que planeja sua ação para os
outros não tem em mente ninguém mais do que ele mesmo. Ele educa à sua semelhança,
sendo o outro uma representação sua. Ele define, de antemão, o outro como o
mesmo.
Voltando, uma última vez, a Sartre, na obra já extensamente citada
aqui ele faz uma referência marginal à educação que é bastante interessante.
Para ele, “a educação sempre trata o outro – a criança – como instrumento;
isto é, objetifica o outro, o fere no âmago de seu ser, sua liberdade, na
medida em que o trata como coisa” (p. 07).
E envio este link de uma animação do Jan Svankmajer de 1992 com o
título “Jidlo (Food)” http://www.youtube.com/watch?v=wvjzMuIs9lY A animação apresenta 3 momentos, Break fast, Lunch e
Dinner ... 3 refeições... O que penso a
partir delas?
Lendo o texto foi a primeira
visualidade que me veio em mente... e o velho ditado, “somos o que “comemos””
... será? Penso que nos
construímos a partir do que é digerido em relação ao que somos sensíveis há
experiência, dispositivo, vivência etc.
Gliciane Schuster
A partir do texto construímos
uma interpretação da abertura necessária para outras possibilidades de
pensamento sobre a docência. Nesse sentido, pensar o outro difere de pensar do
outro, de pensar no outro, de pensar através do outro ou de pensar sobre o
outro. Pois o outro nunca será o que pensamos; do outro é apenas aquilo que ele
mesmo possui; no outro estão as coisas que o outro escolheu; através do outro
não vemos o outro; e sobre o outro podemos encontrar a relação pensada. Ou
“pesada”, segundo os artigos, preposições e advérbios que tomamos nessa
relação. Mas não é tão simples. “Todo ser queria vir a ser palavra...” Mas a
palavra não é. A palavra limita. Só o ser é... Além do “ente”, da “coisa-outro”
coisificada e racionalizada, somos, ser e nada, ser e tempo, ser complexo, ser
sendo, e vir a ser...
Maria Tereza Vizzotto Barichello
Quando falamos em Educação,
estamos falando de pessoas, o envolvimento de segmentos e maneiras de ensinar.
Como diz o texto "Não há Educação sem o outro".
Tem uma música de Gabriel
Pensador “Estudo Errado".
"Eu tô aqui pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra aceitar, me
acomodar e obedecer?
... Encarem as crianças
com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos
nossa personalidade"...
O nosso aluno merece nosso envolvimento, somos
comprometidos com a Educação.
Rafael Dolinski Aranha
Uma educação para/com o outro,
desenvolvida por alguém que pode ser tantos outros.
Gallo nos coloca que “educar significa lançar convites aos outros;
mas o que cada um fará – e se fará – com estes convites, foge ao controle
daquele que educa.” O papel do docente, podendo este ser possíveis outros,
se dá em conhecer os outros para quem estamos direcionando nossos encontros? Se
a cada encontro podemos vir a conhecer tantos outros, mesmo sendo estes os
mesmos a quem observamos a cada encontro, pode se pensar que cabe ao educador
buscar conhecer quais convites pode servir aos outros, para que seja feito um
bom uso por cada um destes outros e tanto outros.
Luise
Aranha
Multiplicidade e singularidade me fez
pensar no meu projeto, quando utilizo Silvio Gallo (2003) para falar sobre uma
educação menor. A educação menor está voltada para as multiplicidades e
singularidades, se conectam e interconectam rizomaticamente gerando outras e
novas multiplicidades. Assim, todo ato singular se coletiva e todo coletivo se
singulariza.
Educar nessa perspectiva é compreender que
somos singulares e que essa singularidade só é permitida por que somos
múltiplos, como o conceito de dobra de Deleuze em que o outro está no eu e o eu
está no outro, entendo assim que não pode ser unidade e o que faço do outro em
mim e o que o outro faz de mim nele é particular, singular, não há como ser o
mesmo. Assim, me parece a filosofia da diferença, no entanto com algumas
inquietações, pois penso que há de se ter um cuidado ao falar da diferença.
Como atuar na prática docente com uma filosofia da diferença sem cair num
perigoso terreno de que a “diferença” pode acabar alimentando preconceitos
(superioridade, inferioridade, etc...)? Assim como outro conceito que Gallo
aborda (situado em Foucault) e que da mesma forma penso a respeito, é o cuidar
de si – cuidar de si é cuidar do outro – (cultivar-se, construir-se) como
trabalhar o cuidar de si, na docência, sem alimentarmos e reafirmarmos um
individualismo narcisista – características do mundo que vivemos hoje?
E ainda, é possível percebermos de fato as
singularidades existentes numa aula com uma turma de estudantes? (Se pensarmos
no curto tempo que estamos com eles e na quantidade de turmas com as quais
trabalharemos).
Jean Oliver
Relacionei o texto com a visualidade
"Radiolab Presents Symmetry", está disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=zEQskIsHKT8
Luana
Cassol
A sala de aula é o espaço de distintos
saberes. O outro, a mim inquieta e me faz perceber que o aprendizado está além
do que espero. Se somos livres enquanto docentes e, livres no sentido de pensar
o que nos afeta em relação ao outro, não poderíamos então então inventar, criar
ou recriar nossos próprios dilemas? Agora penso a docência como um processo de
criação (ir e vir), um trabalho sobre mim que com certeza não faço sozinha:
rabisco, desenho, rascunho. Entre, erros, acertos, borrões e conquistas,
ofertamos caminhos! E o que o outro fará com ou nesses caminhos? Não sabemos...
Jonara
Eckhardt
É preciso deixar-se maravilhar pela
experiência de entrar em contato com as diferenças. Deixando-me sensibilizar
pelo mundo do outro, vou, tomando contato comigo mesmo e com o meu mundo.
Disciplina é liberdade. Ao treinar o meu olhar para reconhecer o outro, estou,
na mesma proporção, aprendendo a me reconhecer. Dizendo de outro modo: negar o
outro é, logo, negar a mim mesmo. A docência torna-se um encontro ao desencontro
das minhas expectativas.
Mara
Priscila Torrico
A partir do momento
em decidimos ser professores, sabemos que iremos ter uma relação direta com o
outro e tantos outros, e esse enfrentamento ocorrerá de uma forma ou outra, é
inevitável. Mas segundo o texto de Silvio Gallo, o desafio é como encaramos
esse outro, pois se ao interpretar o outro estamos nos revelando nessa
interpretação, se nosso subjetivo se transforma no objetivo do outro, nesse
caso a diferença é um desafio.
Dentro de uma sala
de aula essa diferença é uma barreia, acredito eu, pois os estudantes esperam
aprender algo conosco e muitas vezes queremos que eles aprendam o que queremos,
e isso não é troca, é quase uma imposição, e dos dois lados, já que os
estudantes colocam suas expectativas em nós, acreditam que precisam de nós para
aprender algo. Nesse caso a relação entre o eu e o outro (me refiro a
professor/aluno e aluno/professor) será conflituosa e frustradora.
Prefiro acreditar
na educação pelo outro, onde ela se torna uma mudança de estado, é uma
passagem, segundo Gallo. Uma educação sem expectativas no outro, mas de
confiança e respeito pela diferença, e a diferença proporcionando trocas. Onde
o professor possa ser um mediador, um abridor de portas, onde o estudante
escolhe se quer entrar ou não, e por que não o estudante também ser um
mediador?
O professor que
consegue perceber e respeitar a diferença do outro dentro da sala de aula
estará proporcionando uma igualdade social, mas uma igualdade sustentada pela
diferença, não pela expectativa no outro, mas pela valorização das
subjetividades.
Ana
Cristina Paz da Silva
O texto nos faz refletir que nossos alunos
são figuras chaves na construção de nossas propostas de trabalho, a partir
desta abertura o professor não só ensinará como também aprenderá junto com os
educandos. A docência não pode mais ser tratada como receita de bolo, que
sempre irá dar certo, devido a diversidade de seres com que convivemos, seja no
âmbito escolar ou em qualquer outro.
Ana
Cláudia Barin
“Educação é um encontro de singularidades” (GALLO). Vejo a relação com a
docência justamente nessa soma de ‘singulares’. Seria impossível sermos
docentes sem o encontro ou esses encontros com os outros (ou uns aos outros).
Para nos enxergarmos docentes precisamos nos ver no outro, nos perceber no
outro e nos construir no outro entendendo que, ao mesmo tempo que ensinamos,
aprendemos também. Trabalharmos de forma que consigamos relacionar essas
semelhanças e diferenças com os aprendizes, subjetivando caminhos dentro desse
coletivo que pertencemos e atuamos (que é a sala de aula, o contato com os
educandos, nossa pesquisa e troca de experiências e resultados). Perceber-se no
outro implica nessa construção coletiva, desprendendo-se de rotas fechadas e
sempre possibilitando a mudança, o acréscimo e aprendizado.
Nairaci
Fernandes
Esse video trata da alteridade que é a capacidade de apreender o outro na
plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Uma adaptação do texto: ALTERIDADE,
SUBJETIVIDADE E GENEROSIDADE- Frei Betto. Música de Vanessa da Mata "As Palavras"
Priscila
Cardoso
É esta atitude que denominaremos indiferença para com o outro. Trata-se,
pois, de uma cegueira com relação aos outros /.../ Quase não lhes dou atenção;
ajo como se estivesse sozinho no mundo; toco de leve “pessoas” como toco de
leve paredes; evito-as como evito obstáculos; sua liberdade-objeto não passa
para mim de seu “coeficiente de adversidade”; sequer imagino que possam me
olhar (SARTRE, 1999, p. 474).
Imagem:
Roselaine
Wegner
Penso que o texto se
relacione com a docência no modo como trata o outro. A relação do eu com o
outro, a diferença e a multiplicidade.
Não há educação só, um
precisa do outro, o educando, os educadores, a educação auto didata, (neste
último caso, seria o eu com o eu próprio), mas mesmo assim o eu sairá de si.
Como que um diálogo, uma troca de ideia e aprendizagem comigo mesmo.
Como quando refletimos
algo, nos adentramos em pensamentos intrínsecos e não os compartilhamos com
outra pessoa. Este pensamento ficará entre o meu eu consciente e inconsciente.
A diferença deve ser
respeitada, o modo como cada um aprende e vê as coisas. O aprendizado acontece
de formas diversificadas. Cada um, cada outro a seu modo. Deve-se respeitar a
liberdade do outro e a sua singularidade.
Assim como o texto
fala da relação com o outro que é uma relação de conflitos, na docência também
ocorre tal relação, o que considero importante, para refletirmos nossa prática
e como estamos nos relacionando com o(s) outro (os).
O conflito faz com que
mudemos que vejamos as ações e fatos com novos olhares.
“Não se pode produzir
a educação como modelo, não se podem reproduzir modelos educacionais. É
possível criar métodos de ensino?”
“Educar significa
lançar convite aos outros, mas o que cada um fará, e se fará com estes convites
foge ao controle daquele que educa”.
Carin Dahmer
Sílvio Gallo apresenta no texto a
educação como um encontro de singularidades, sendo o professor um mediador e
também uma singularidade. O outro e os outros (pois sem o outro não há
educação) trabalhados por Gallo se baseiam na concepção de que estes, vão além
da ideia de representação, como apagamento da diferença, mas podem
potencializar as produções das singularidades, onde eu me vejo no outro e o
outro se vê em mim. O processo de “des-objetivar” o outro, como mera
representação conceitual, perpassa o processo de “descentração” abordado por
Thomas Kesselring ...nos liberamos pouco
a pouco do nosso egocentrismo. Egocentrismo quer dizer que reduzimos o mundo ao
que percebemos a partir da nossa perspectiva. Cada objeto tem um lado avesso
que eu não vejo. Eu tenho que me virar para descobrir o lado avesso. Assim
na prática docente o estudante precisa de
atenção, precisa perceber que é levado a sério pelo professor, o estudante não
é um objeto, é uma pessoa (o outro, e os outros) (KESSELRING). O
descobrimento da empatia e simpatia pelo outro produziria a aceitação das
multiplicidades de singularidades, onde com o coletivo “dos outros” aprendemos
mais sobre nós (interior) e sobre estes outros (exterior) que se
inter-relacionam. ...se eu me coloco na
pele do outro, eu aprendo (KESSERLING). A chave da educação pelo outro é aborda-la pelo seu
acontecimento, sendo o conhecimento uma atividade, que produzirá diferenças,
singularidades, ou não, podendo mostrar caminhos e lançar convites para que os
estudantes realizem esse ato coletivo de criação.
“Educar significa lançar convites
aos outros; mas o que cada um fará – e se fará – com estes convites, foge ao
controle daquele que educa. Para educar, portanto, é necessário ter o
desprendimento daquele que não deseja discípulos, que mostra caminhos, mas que
não espera e muito menos controla os caminhos que os outros seguem. E mais: que
tenha ainda a humildade de mudar seus próprios caminhos por aquilo que também recebe
dos outros.” (GALLO, pg. 15)
KESSERLING, Thomas. Descobrindo o
lado avesso. Entrevista concedida a Revista Extra Classe, setembro de 2012.
Hoje escutei uma música muito boa, e
que me fez pensar de novo no texto, por isso estou enviando outro comentário.
O texto Eu, o outro e tantos outros:
educação, alteridade e filosofia da diferença de Sílvio Gallo me remeteu a essa
música que gosto muito, e que no momento corresponde a algumas questões da
minha existência, como docente, como pessoa.
Na música Vienna de Billy Joel, intérprete e compositor, a cidade é uma
metáfora da encruzilhada que seguidas vezes nos encontramos, nos caminhos que
devemos seguir, esses muitas vezes diversos, que se encontram e se separam, um
encontro de múltiplos. Na prática docente este encontro pode ser o centro de
onde partirão muitos outros caminhos. A educação como um encontro, proposta de
Gallo, trabalha com um acontecimento, uma escolha, de cada um em sua singularidade
de percorrer um determinado caminho, podendo o conhecimento ser parte desta
atividade ou não. Mas cada singularidade (eu) segue seu percurso, enfrentado
seus dilemas, medos, incertezas, que podem ser os vetores de mudanças, de
buscarmos novos caminhos, com tranquilidade e sem medo de errar, pois tudo é
parte da construção de quem somos, e de nossos outros.
O tempo perdido também é caminho.
Uma preparação para a próxima encruzilhada.
Vídeo no youtube com a música:
Aqui a tradução da música.
Viena
Devagar, sua louca criança.
Você é tão ambiciosa para uma jovem.
Mas se você é tão esperta, me diga
porque continua com tanto medo?
Onde está o fogo? Pra quê a pressa?
É melhor você aproveitar isso antes
que você perca.
Você tem muito o que fazer e tão
poucas horas em um dia.
Você não sabe que quando a verdade é
dita.
Você pode conseguir o que quer ou
pode apenas envelhecer?
Você vai desistir antes mesmo de
passar metade do caminho.
Quando você perceberá? Viena espera
por você.
Devagar, você está indo bem.
Você não pode ser tudo o que você
quer ser, antes do seu tempo.
Embora isso seja tão romântico no
limite de hoje a noite, hoje a noite.
Tão ruim, mas é a vida que você
segue.
Você está tão à afrente de si mesma
que esqueceu o que precisa.
Embora você possa ver quando você
está mal.
Sabe, você nem sempre saberá quando
você está bem, bem.
Você tem sua paixão.
Você tem seu orgulho.
Mas você não sabe que apenas tolos
ficam satisfeitos?
Sonhe, mas não pense que todos os
sonhos se realizarão.
Quando você vai perceber? Viena
espera por você
Devagar, sua criança louca.
Tire o telefone do gancho e
desapareça por um tempo.
Tudo bem, você pode permitir-se
perder um dia ou dois.
Quando você vai perceber? Viena
espera por você.
Você não sabe que quando a verdade é
dita.
Você pode conseguir o que quer ou
pode apenas envelhecer?
Você vai desistir antes mesmo de
passar metade do caminho.
Por que você não percebe? Viena
espera por você.
Quando você vai perceber? Viena
espera por você
Deise
Facco Pegoraro
“...compreender o plano de imanência no
qual os conceitos estão inseridos é de fundamental importância para se
estabelecer o processo de aprendizado. Assim, as práticas de ensino devem, mais
do que dogmatizar os conceitos e as teorias, facilitar a compreensão do plano
de imanência no qual eles estão relacionados. A atitude indispensável do
professor consiste em apresentar os conceitos como uma possibilidade, um olhar
entre muitos outros que podem ser construídos a partir desses mesmos conceitos.
Eles servem, então, como ferramentas, como instrumentos para produzir novos
conhecimentos.”
“Diferentemente da ramificação
hierarquizada do saber, e sem a lógica binária que rege as relações dicotômicas
nas quais se incluem o pensamento psicanalítico e o estruturalismo em geral
(DELEUZE e GUATTARI, 1995), a visão rizomática da estrutura do conhecimento não
estabelece começo nem fim para o saber. A multiplicidade surge como linhas
independentes que representam dimensões, territórios do real, modos inventados
e reinventados de se construir realidades, que podem ser desconstruídos,
desterritorializados.”
Estes dois trechos foram extraídos do texto
RIZOMA E EDUCAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES DE DELEUZE E GUATTARI por Mauro Michel El
Khouri. E para quem tiver interesse em ler o artigo todo, está disponível neste
link: http://www.abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/198.%20rizoma%20e%20educa%C7%C3o.pdf, ou posso mandar
por e-mail.
Carina
Plein
“Lembrei de um livro que li quando criança, nele os bichos sofriam com a
indiferença ou a maldade dos donos. Eu recordo do imenso sofrimento que senti e
também de algo que me intrigou: O coração de vidro do título, era a respeito
dos bichos e representava como esse coração era frágil, quebrável? Ou era a
respeito de nos humanos, de como podemos ficar impermeáveis a certas emoções?”
Fala do vídeo A historia de Sofia- filme da Panvel
Às vezes torna-se mais fácil ignorar, mas ao mesmo tempo não
se tem resposta!
Karina Silveira
Penso a docência a partir do
texto na perspectiva destes encontros com o outro, onde a cada aula estaremos
indo ao encontro, e lá acontecerão as trocas que este outro permitir. Assim que
se darão as nossas relações, através das aberturas que o outro tiver disposto a
mostrar. Também a partir do texto pensei sobre algo que já havíamos comentado
em aula, que a educação se dá em momentos que nem mesmo nós percebemos que ela
está acontecendo, em situações que o outro aprende sem que estivéssemos com
esta intenção.
Francieli Raquel Backes
"A relação que estabeleço
entre o texto e a docência está na forma como somos construídos a partir do
outro, e sem ele nada somos. Na docência nos deparamos com isso quando pensamos
a forma como os estudantes criam a nossa imagem de professor, criam o nosso
"eu" a partir de suas percepções. Do mesmo modo nós criamos a imagem
do estudante segundo nossa visão acerca dele. Somos construídos e construímos
sujeitos constantemente. Isso de certa forma é perigoso. Como criar um
"eu" que corresponda à quem eu gostaria de ser, se a construção do
meu sujeito depende do olhar do outro?"
Vivien Kelling Cardonetti
Pensar a docência a
partir da filosofia da diferença significa potencializar a produção de
singularidades, de multiplicidades. É dar voz a uma pluralidade de encontros
que muitas vezes são negados. É fugir de toda uniformização do saber e
deixar-se surpreender pelo que não sabemos, pelo que não queremos, pelo que não
acreditamos, pelo que não precisamos, pelo que não imaginamos. É quando nos
permitimos não esperar dos encontros uma variante de si mesmo.
A docência pode ser
um ambiente privilegiado para que os encontros aconteçam, pois podem propiciar
infinitas possibilidades de sermos diferentes do que somos. No entanto, sabemos
que essa reconstrução tem muitas implicações, pois significa estar disposto a
se desconstruir e se reinventar constantemente. Manifesta-se também em estar
propenso a operar em situações de desencaixe, com riscos e fracassos,
resistindo à tentação de se acomodar em padrões pré-estabelecidos. É necessário
muito esforço para se deixar visitar por vozes que divergem entre si, onde a
polifonia parece prevalecer.
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